Acido Úrico
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Ácido Úrico

Ácido Úrico

Embora ainda exista alguma controvérsia quanto à inclusão do ácido úrico como fator de risco cardiovascular independente, tem sido amplamente demonstrada a associação deste elemento a diferentes afecções cardiovasculares. O quadro apresentado a seguir lista as associações descritas entre hiperuricemia e doenças cardiovasculares.

Acido Úrico

Ácido Úrico Alto e Hipertensão Arterial

Inúmeros relatos na literatura têm demonstrado que pacientes hipertensos evoluem freqüentemente com aumento dos níveis séricos dele.

Estudos mais recentes sugerem que essa associação seria inclusive preditiva do risco de desenvolvimento de níveis tensionais mais elevados.

O estudo prospectivo “The Olivetti Heart Study”, por exemplo, demonstrou forte associação entre hiperuricemia e risco de desenvolvimento de hipertensão arterial, especialmente em indivíduos do sexo masculino. No período de seis anos de seguimento, homens que apresentaram aumento de 3 mg/dL na taxa de ácido úrico sérico (partindo de 5 mg/dL na fase basal) tiveram risco de desenvolvimento de hipertensão arterial 87% maior do que os indivíduos que permaneceram com uricemia inferior a 5 mg/dL.

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Ácido Úrico, Síndrome Metabólica e Dislipidemia

Associações entre hiperuricemia e os vários elementos da síndrome plurimetabólica (resistência a insulina, hiperglicemia, obesidade e hipercolesterolemia) também têm sido relatadas com freqüência.

No estudo “Gothenbourg Study of Women” foram relatadas correlações altamente significantes entre os níveis plasmáticos dele e os valores da colesterolemia, trigliceridemia, glicemia, índice de massa corporal e relação cintura/quadril.

Relações lineares entre tais elementos e os níveis de uricemia podem ser observadas também nos resultados do estudo de Cook et al. publicado em 1986. Nota-se, em sua análise, que, quanto maiores foram os valores do índice de massa corporal e da glicemia, maiores eram os valores encontrados para o ácido úrico plasmático. Esse mesmo autor relatou relações semelhantes quando comparou os níveis séricos de insulina e de ácido úrico.

Observações no mesmo sentido também foram relatadas nos estudos de Framingham, nos quais se constatou que o desenvolvimento de diabete melito tanto em homens como em mulheres de diferentes faixas etárias era cerca de três a quatro vezes maior nos indivíduos com hiperuricemia em comparação aos que apresentavam níveis sangüíneos normais de ácido úrico.

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Ácido Úrico e Doença Arterial Coronária (DAC) – Sintomas

Níveis séricos elevados de ácido úrico também têm sido associados ao desenvolvimento de doença arterial coronária (DAC) e do próprio infarto do miocárdio.

Observou-se na casuística de Framingham que a incidência de coronariopatia, em geral, e de infarto do miocárdio, em particular, num período de avaliação de dois anos era significativamente maior nos indivíduos com hiperuricemia quando comparados àqueles que tinham ácido úrico sérico dentro da faixa de normalidade.

Observações semelhantes também foram relatadas recentemente no “Augsburg MONICA Cohort”.

A constatação de associação de hiperuricemia e mortalidade cardiovascular ou mesmo geral (mortalidade por todas as causas) reforça ainda mais a possibilidade dele ser um fator de risco cardiovascular independente.

No “Chicago Heart Association Study”, por exemplo, detectou-se em mulheres uma significativa associação entre os níveis dele no plasma e mortalidade cardiovascular, especialmente em faixas etárias acima dos 55 anos. A taxa de mortes/1.000 em mulheres com ácido úrico acima de 6,0 mg/dL foi cerca do dobro da observada para mulheres com uricemia entre 4,0 e 4,9 mg/dL, e cerca do triplo em relação às mulheres que apresentavam níveis de uricemia inferiores a 4,0 mg/dL. Observações qualitativamente semelhantes também foram detectadas neste estudo em mulheres na faixa etária entre 45 e 54 anos.

Resultados semelhantes aos do “Chicago Heart Association Study” foram descritos em outro estudo norte-americano, “NHANES I – First National Health and Nutrition Examination Survey”, no qual se constatou que mulheres com ácido úrico > 7,0 mg/dL apresentavam taxa de mortalidade por doença coronariana 4,8 vezes maior que a de mulheres com níveis de uricemia < 4,0 mg/dL.

Entende-se, assim, que o ácido úrico é formado a partir do metabolismo de nucleotídeos e nucleosídeos. Seu nível sérico é regulado tanto por suas taxas de síntese quanto de excreção, que se faz predominantemente em nível renal mas também pelo intestino.

Em nível renal, o ácido úrico é totalmente filtrado, sendo duplamente reabsorvido e secretado para a luz tubular no túbulo contornado proximal.

Assim, a redução dos níveis circulantes de ácido úrico pode ser obtida pelo emprego de inibidores da xantino-oxidase, como o alopurinol, que reduzem sua síntese, ou por agentes que aumentam sua excreção renal (drogas uricosúricas).

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Descobriu-se recentemente que o losartan, o primeiro antagonista da angiotensina II, promove aumento na excreção renal de ácido úrico, permitindo reduzir o nível deste elemento no plasma. Assim, deve-se considerar, em particular, que o emprego de losartan no tratamento do paciente hipertenso, além dos benefícios do controle pressórico adequado, pode também reduzir satisfatoriamente os níveis séricos de ácido úrico, ajudando a controlar também este fator de risco cardiovascular.

Ácido Úrico Alto

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