Hanseníase

O que é Hanseníase

A Hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, de progressão lenta, causada por um bacilo álcoll ácido resistente, em forma de bastone, denominado Mycobacterium leprae, comumente conhecido como bacilo de Hansen.

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Hanseníase Transmissão

Sua transmissão ocorre por meio das vias respiratórias de pessoa doente não-tratada, para pessoa sã, independente de sexo, idade ou raça. Para que a transmissão ocorra, também é necessário que a pessoa doente não tratada esteja com uma das formas “contagiantes”, e que a pessoa a ser “contagiada” não possua a proteção que cerca de 90% da população tem contra a doença.

Torna-se necessário destacar que não há possibilidade de se contrair a doença pela utilização de objetos utilizados pela pessoa doente (garfos, facas, copos, toalhas, etc), ou através de relações sexuais, beijos, abraços, dentre outras formas de contato corporal, mesmo sabendo-se que o contágio ocorre a partir do convívio.

Também não há transmissão do bacilo da gestante para o feto após o nascimento da criança, nem mesmo através da amamentação. A hanseníase não é uma doença hereditária, mas sim de contato. Um pai ou uma mãe portadores da hanseníase, sem tratamento e com uma das formas contagiantes, só transmitem a doença a seus filhos pelo contato.

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Hanseníase sintomas

Por apresentar progressão lenta, a doença geralmente demora para aparecer, podendo levar de três (3) a cinco (5) anos em período de incubação. Uma vez dentro do organismo, o bacilo de Hansen invade a corrente linfática e, através dela, pode chegar à pele e aos nervos periféricos (estes ficam mais próximos da pele e são responsáveis pelos movimentos e pelas sensações de frio, calor e dor). Caso a pessoa infectada esteja submetida à ação prolongada dos bacilos nos nervos, sem tratamento, os mesmos podem ser afetados de maneira definitiva, prejudicando o movimento e a sensibilidade das áreas mais atingidas. Podem ocorrer, também, danos aos olhos e outras estruturas do corpo.

Uma vez feito o diagnóstico da doença, através de seus principais sinais e sintomas, será necessário que o médico classifique a forma apresentada pelo paciente, a fim de que o adequado esquema de tratamento seja iniciado imediatamente. Se dividem em:

Os principais sintomas da doença são: o aparecimento de manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele; alterações de sensibilidade nos locais atingidos pelo bacilo; dormências, cãibras, entre outras.

Formas Paucibacilares: não contagiantes, devido a presença de poucos bacilos no organismo. São elas:
* hanseníase inicial ou indeterminada (HI): onde as lesões geralmente se apresentam esbranquiçadas ou avermelhadas, com alterações da sensibilidade.
* hanseníase tuberculóide (HT): lesões esbranquiçadas ou avermelhadas bem definidas e com alterações da sensibilidade, com a presença de bordas um pouco mais elevadas (como uma “bainha” em volta da mancha).
Formas multibacilares: contagiantes devida a presença de muitos bacilos no organismo. São elas:
* hanseníase virchowiana (HV): caracteriza-se por manchas vermelhas ou acastanhadas, além da presença de nódulos e caroços, na pele, em geral, e nas orelhas.
* Hanseníase dimorfa (HD): as lesões assumem características tanto da forma tuberculóide, quanto da virchowiana.

O fator responsável pelo desenvolvimento das formas pauci ou multibacilares da doença é o próprio organismo da pessoa que contrai o bacilo. Caso seu sistema de defesa consiga impedir a reprodução mais desenfreada dos bacilos, geralmente as formas paucibacilares são desenvolvidas. Naqueles organismos cujo sistema de defesa não seja suficientemente capaz de protegê-lo contra a reprodução dos bacilos, as formas multibacilares terão lugar.

Apenas 10% da população não possui a proteção total contra o bacilo. A isto relaciona-se o fato que toda pessoa já nasce com seu sistema de defesa formado, estando mais ou menos predisposta para certas doenças. Entretanto, existem fatores externos que contribuem para o enfraquecimento dessas defesas, o que consequentemente abre espaço para as doenças infecto-contagiosas, dentre outras. As condições sócio-econômicas (viver num ambiente onde não exista saneamento básico, água tratada, coleta regular de lixo e alimentação pouco saudável), bem como situações de estresse e desequilíbrio emocional (depressões, conflitos diversos nos setores familiar, profissional, amoroso, entre outros), podem influenciar no funcionamento do sistema de defesa.

Tratamento para Hanseníase

Apesar de todos esses fatores a hanseníase tem cura e é tratada em qualquer estágio. Além disso, quem se trata logo colabora para que a cadeia de transmissão seja interrompida.

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Hanseníase tem cura

O tratamento é a única forma de curar a doença! Ele é realizado apenas pela rede pública de saúde, de maneira gratuita e sem a necessidade de internação do doente. Também não é necessário deixar as atividades habituais (trabalho, estudo, lazer, convívio com familiares e amigos) para tratar a hanseníase. É muito importante seguir regularmente o esquema de tratamento recomendado (PQT), não faltando nos dias agendados para apanhar a dose do mês ou às consultas médicas, bem como não deixando de tomar os remédios por qualquer motivo.

A poliquimioterapia (PQT) é feita através da combinação de três (03) drogas diferentes (rifampicina, clofazimina e dapsona), que são utilizadas de maneira as matar os bacilos, evitar a reprodução dos mesmos, bem como prevenir o surgimento de bacilos resistentes às drogas utilizadas. Dependendo da forma apresentada, serão adotados esquemas de tratamento com dosagem e tempo de utilização diferenciados.

Para as formas paucibacilares (HI e HT), é utilizado o esquema que compreende a associação de rifampicina e dapsona, tomadas em seis (06) doses distribuídas, mensal e gratuitamente, nos postos de saúde onde haja o tratamento para a doença, pelo período de até 9 meses. Nas formas multibacilares (HV e HD), associam-se as drogas rifampicina, clofazimina e dapsona, ao longo de 12 doses em até 18 meses ou 24 doses em até 36 meses de tratamento. (OBS.: Existe ainda a dose única de combinação Rifampicina, Ofloxacim e Minociclina, que é recomendada em alguns países para o tratamento da hanseníase Paucibacilarer com uma única lesão de pele.)

O abandono do tratamento leva à ineficácia do mesmo, pois os bacilos não serão mortos e, assim, continuarão atacando os nervos e a pele, podendo levar a sequelas irreversíveis. Além disso, a transmissão do bacilo (no caso de uma pessoa com uma das formas multibacilares), que havia cessado nos primeiros dias do início da utilização dos remédios, voltará a acontecer, pondo em risco as pessoas em volta do doente que não esteja se tratando.

Também é realizado nos postos de saúde o trabalho de prevenção de incapacidades, que podem ocorrer devido a acidentes nas partes onde existam grande comprometimento da sensibilidade (cortar o pé, queimar a máo, dentre outros que venham a gerar infecções secundárias); neurites (nervos dolorosos e aumentados); múltiplas lesões na pele e reações hansênicas (aumento nos sintomas e sinais da doença, em virtude de uma forte reação do sistema imunológico ao bacilo, que pode ocorrer tanto durante quanto após o tratamento, necessitando-se do uso de corticoides para o seu combate.

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No posto serão ensinados os cuidados básicos com a pele, o uso adequado dos calçados, bem como observado e recomendado o uso da medicação correta para tratar os episódios reacionais, a fim de evitar possíveis lesões irreversíveis, ou mesmo deformidades nos portadores da hanseníase.

Os familiares, e demais pessoas com as quais o doente em tratamento convivia, também devem comparecer ao posto de saúde. Nessas pessoas será feito um exame, a fim de verificar a presença de algum dos sinais da hanseníase para início do tratamento. Não existindo sinal, as pessoas recebem a recomendação para se manterem atentas e para, caso seja necessário no futuro, procurarem logo os serviços de saúde ao notarem alterações características da hanseníase. Também são encaminhadas para tomar doses da vacina BCG (utilizada para a tuberculose), que ajuda no fortalecimento do sistema de defesa.

Não existe vacina contra a hanseníase. A melhor arma para se prevenir ainda é a informação.

Hanseníase Transmissão

Author: marozo

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